terça-feira, 23 de março de 2010

Eduardo d'Almeida - a crítica social

A Adriana fala, no poste seguinte, de uma publicação que Eduardo d' Almeida, juntamente com Alfredo Pimenta, publicou e que provocou grande polémica por ser um manifesto dirigido contra a sociedade decadente e desigual. O folheto com 16 páginas intitulado Burgo Podre, escrito em prosa (de Eduardo de Almeida) e em versos (de Pimenta), propunha levar moralidade aos domicílios vimaranenses. Meio século mais tarde, Mário Cardozo classificaria a obra como "um folheto de má prosa e de péssimos versos". Alguns anos antes, Alfredo Pimenta recordava aquela coisa inconcebível que os dois jovens vimaranenses tinham trazido de Coimbra no fundo das malas: "dezasseis páginas tremendas, irreverentes, sacrílegas com que nos propúnhamos dinamitar o burgo, purificar o Céu, e limpar as almas, e lavar os corpos dos nossos conterrâneos”. A folha provocou algum escândalo.
Com a instauração da República em Portugal é chamado à cidade natal, onde irá assumir as funções de primeiro administrador do Concelho do novo regime. Do seu exercício nesse cargo ficariam na memória, antes de mais, as suas profundas preocupações sociais. Em 1911, foi eleito deputado por Guimarães para a constituinte. Vide, No cinquentenário da morte de Eduardo d'Almeida.

Eduardo d'Almeida - curta biografia

Eduardo Manuel de Almeida Júnior nasceu em 3 de Fevereiro de 1884, em Guimarães. Completa o curso aos 21 anos na faculdade de Direito de Coimbra. Juntamente com um amigo escreve um livro sobre moralidade, mas foi muito criticado e apenas foram publicados dois dos números. Quando finda o curso volta à terra natal onde se torna um advogado conceituado. Este era um homem de letras e escreveu o primeiro livro em 1905, “A Lama”, dirigida para a sátira social. Em 1908, estabelece-se no Porto com um escritório de advocacia. Com a implantação da república é chamado a Guimarães, é presente no Parlamento e admirado pelos seus dotes de oratória e preocupações sociais, mas decide não seguir uma carreira política. Assume os negócios da família com a morte do pai, mas, sempre fiel à república, torna-se director de dois jornais tendo sido muito importante na história da Sociedade Martins Sarmento, que viria a passar dificuldades, tornando-se monárquica e perdendo adeptos. Este senhor reergueu a Sociedade, à qual fazia parte devolvendo-lhe o prestígio. Morre em 6 de Janeiro de 1958. (Post - Adriana Silva - 9ºD)
Sugestões: Biografia

Eduardo de Almeida, ilustre republicano de Guimarães



"que notável figura de cidadão, de escritor, de advogado e de orador foi o Dr. Eduardo d'Almeida - um dos últimos românticos da República, carácter de eleição, alma comovida e empolgante ante as grandes causas do Homem e da Pátria, em cuja obra tumultam os sonhos febris de um mundo social mais justo ou brilha serenamente a bondade persuasiva dos iluminados". Aníbal Mendonça (Primeiro de Janeiro de 12/1/1959)
Mais logo, post da Adriana com biografia deste republicanio.

segunda-feira, 22 de março de 2010

No dia da árvore, a ÁRVORE do CENTENÁRIO

Comemorou-se, hoje, o dia da árvore, com a plantação de uma espécie autóctone. Esta iniciativa decorre do programa do AET para as comemorações do Centenário da República, em colaboração com o Programa Eco-escolas. A plantação desta árvore configura uma simbologia da república, mantendo vivos os seus ideais, ao promover acções no âmbito da educação ambiental e do exercício de uma cidadania activa.
Pretendeu-se, ainda, consciencializar para a importância da preservação da floresta autóctone local e regional. A aluna Ana Martinho fechou esta actividade com a declamação de uma poesia de António Ramos Rosa, Cada árvore é um ser para ser em nós. Na semana da República, em Outubro, será descerrada, junto deste exemplar, uma placa comemorativa alusiva ao centenário.


sexta-feira, 19 de março de 2010

Imprensa de influência republicana publicada no concelho de Guimarães

As alunas Ângela Salgado e Susana Salgado fizeram uma pesquisa sobre a imprensa periódica, de índole republicana, que foi dada à estampa no concelho de Guimarães, tendo sinalizado as seguintes publicações:

quinta-feira, 18 de março de 2010

O ambiente na estância termal das Taipas durante a Iª República

Dia a dia vamos registando mais entusiasmo nesta linda estancia que vem sendo frequentada pela nossa melhor sociedade.
Os nosso aquistas teem promovido constantes diversões em que reina sempre a mais franca alegria e a melhor camaradagem.
Sucedem-se os “pic-nics”, os bailes, as festas as mais variadas e interesantes. Anteontem tiveram os hospedes do Hotel das Termas um animado “pic-nic” na quinta do Paço, em Briteiros, para onde se dirigiram em automóveis (...). No regresso realizaram no salão nobre do Hotel uma interessante festa intima, oferecendo os cavalheiros ramos de flores com graciosos discursos. Foi uma festa que deixou em todos viva recordação (...).”
Jornal das Taipas, 1921,Julho,31,Domingo. Nº 28, Ano 1º (Fotografia cedida pelo prof. António OLiveira)

A projecção da estância termal das Taipas no estrangeiro

Tivemos o prazer de ver ontem entre nós a talentosa escritora inglesa Miss Beatrix Keppel Thompsom, que aqui veio como enviada especial do jornal inglês “Times”, afim de colher informes sobre as nossas estancias. A nossa ilustre viajante retirou daqui com agradabilissimas impressões assegurando que faria conhecer no seu país a nossa linda estancia, onde encontrara um hotel e um balneário modelares, como não viu ainda mais confortaveis nem com mais aceio.
Acompanhava-a o ex.mo sr. Simão Duarte de Oliveira, cavalheiro de primorosas qualidades a quem a agricultura do Norte deve o seu melhor impulso e o nosso amigo sr. Manuel Esteves. “
Jornal das Taipas, 1921, Agosto,7,Domingo, Nº 29, Ano 1º. (imagem cedida pelo prof. António Oliveira)

O Hotel das Termas, nascido aquando da Iª República


A primeira pedra do Hotel das Termas, nas Caldas das Taipas, foi lançada no dia 3 de Outubro de 1915. A traça é da autoria do arquitecto portuense Eduardo da Costa Alves, cujo projecto foi aprovado pelo governo de então e publicado no Diário do Governo nº92, 2ªsérie de 19 de Abril de 1916. A Primeira Guerra Mundial originou a carestia de materiais e a falta de operários, provocando assim sucessivos atrasos na construção da última ala do hotel que ficaria apenas totalmente concluída em 1924. Este imóvel foi construído pela Empresa Termal das Taipas S.A.R.L. detentora até 1986, da exploração das águas termais nas Taipas (Banhos Velhos e Banhos Novos).
Após a publicação da Lei nº1152 que criou em 1922 as Comissões de Iniciativa no nosso país, o turismo nas Taipas sofre um novo impulso. A Comissão de Iniciativa desta povoação, juntamente com o esforço de Francisco de Oliveira, Joaquim da Silva Ferreira Monteiro e o Dr. Francisco de Carvalho Ribeiro vai iniciar um processo de aquisição de terrenos necessários para a abertura da Avenida do Parque (actual Av.Rosas Guimarães e antiga Av. Salazar) e para a construção do Parque de Turismo. Pelo Decreto Lei nº27424, datado de 31 de Dezembro de 1936, em substituição das Comissões de Iniciativa são criadas as Juntas de Turismo.
Pouco tempo depois, é formada a Junta de Turismo das Taipas, que na década de 50 e 60 juntamente com a Junta de Freguesia, irá proceder à construção de piscinas para adultos e crianças, de campos de patinagem, parque infantil (junto à piscina), campos de ténis, parque de campismo e à criação de um posto de turismo. Neste posto de turismo, procedia-se a um atendimento dos vários aquistas e turistas que frequentavam esta vila, fornecendo-lhes valiosas informações, ao mesmo tempo que tal espaço era dinamizado com várias actividades culturais, das quais salientámos as exposições.
Em meados da década de 80, com a extinção da Junta de Turismo das Taipas, em sua substituição é formada a Cooperativa Taipas Turitermas, da qual a Câmara Municipal de Guimarães é a principal accionista. Em 1993, o posto de turismo localizado na Av. da República é encerrado ao público, sendo construída no seu lugar uma agência bancária (C.G.D.) que irá também ocupar o espaço da sede da Junta de Freguesia de Caldelas, sem que noutro local se tenha criado outro posto de turismo alternativo. (Colaboração e post, prof. António Oliveira)

terça-feira, 16 de março de 2010

Os banhos e as Caldas das Taipas


A Alexandra Ferreira desenvolveu, nos últimos tempos, um trabalho de procura e identificação de fontes sobre as Caldas das Taipas, socorrendo-se do espólio do sr. Carlos Marques. Sobre os banhos públicos e as futuras termas conseguiu, no Comércio de Guimarães, a seguinte informação:
Foi um pharmaceutico (cujo nome e morada se ignoram ), que deu origem aos banhos, por ser o primeiro que descobriu ali um poço d’água sulfúrica quente, mandado fazer-lhe em volta um resguardo de taboas, para os pobres tomarem banho, e d’ahi lhe deram o nome de Caldas das Taypas. Dentro de pouco tempo correu fama a excellencia da água para doenças de pelle. Ao lado norte dos banhos está um penedo com duas faces aprumadas, n’uma das quaes se acha gravada em caracteres que a mão do tempo tornou quasi imperceptíveis uma inscripção, quem diz:
«Aquella obra mandou fazer o imperador Trajano Augusto, filho de César Nerva vencedor dos alemaens; e do Pontifice Maximo. Sendo tribuno do povo, a sétima vez imperador, Consul a quarta e tendo título de pae da pátria.»
Na outra face está também gravada a seguinte inscripção:
«Para alivio da humanidade e remédio de rebeldes doenças herpéticas. Foram renovados e aumentados estes banhos thermaes por ordem do senado da comarca da Villa de Guimarães, sendo seu prezidente o António Cardozo de Menezes e Athayde - António do Couto Ribeiro – secretário; José Leite Duarte, procurador Manuel Luiz de Sousa.»
Em testemunho do seu zelo e actividade, para emulação dos vindouros, elles mesmos mandaram gravar esta inscripção, que desafia e vencerá o tempo e a eternidade em 1818. “
Comércio de Guimarães nº2037, 6 de Fevereiro de 1906 (Post: Alexandra Gonçalves Ferreira, 9º E)

quinta-feira, 11 de março de 2010

O primeiro aniversário da República na cidade de Guimarães

No dia 6 de Outubro de 1911, comemorou-se o primeiro Aniversário da República em Guimarães. Foi uma quinta feira de festejos com música e fogo de artifício, onde estiveram presentes a população, o presidente da Comissão Municipal, Teixeira d’Abreu e os Drs. Alfredo Pimenta (ilustre republicano) e Eduardo de Almeida. À noite, uma marcha foi animada pela filarmónica, o regimento de Infantaria 20 e a respectiva banda.
Os factos:
Commemorando o 1º anniversario da republica houve na 5ªfeira manifestações de regosijo, constando de fogo e música, de um bodo de 500 pobres, sessão solenne na Câmara Municipal onde usaram da palavra os snrs. Teixeira d’Abreu, digno presidente da Commissão Municipal e Drs. Alfredo Pimenta e Eduardo de Almeida. À noite organizou-se uma marcha “aux flambeaux” em que tomou parte o regimento d’infantaria 20, respectiva banda, populares e philarmonica “Bôa-União (In Imparcial, nº 282, 7.º ano, semanário, Guimarães, 6 de Outubro de 1911)

(Post: Bárbara Rodrigues; Foto: Abade de Tagilde, preso por manifestar ideias republicanas; Arquivo - Sociedade Martins Sarmento)

terça-feira, 9 de março de 2010

O ideário republicano nas páginas da imprensa - A Velha Guarda

Ao povo de Guimarães
“Ao encetarmos a nossa carreira, as nossas primeiras palavras são de saudações à cidade de Guimarães e ao Director do Partido Republicano Português (…).
A Velha Guarda representa os republicanos antigos da cidade de Guimarães. Representa os que nunca tiveram medo, os que nunca se esconderam, os que soffreram e luctaram quando a República era considerada um mytho em todo o país e muito mais nesta cidade onde o reaccionarismo infelizmente tem imperado sempre. Representa os Republicanos que já o eram antes da data gloriosa de 5 de Outubro (…)”. (In A Velha Guarda, n.º 1, 1.º ano, semanário, Guimarães, 7 de Dezembro de 1910) Foto: Vista geral da cidade, 1912, Arquivo: Sociedade Martins Sarmento

segunda-feira, 8 de março de 2010

As mulheres da república ... no Dia Internacional da Mulher

Adelaide Cabete é uma das figuras importantes da história portuguesa do início do século XX. Foi médica e professora. Nasceu em Elvas, em 25 de Janeiro de 1867 e faleceu em Lisboa, em 14 de Setembro de 1935. De origem humilde e órfã, desde criança conheceu o duro trabalho de servir, em casas ricas de Elvas, nas quais, de ouvido, aprendeu os rudimentos da escrita e leitura. Licenciou-se em Medicina no ano de 1900, na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, apresentando como tema de dissertação de conclusão de curso um estudo intitulado A Protecção às Mulheres Grávidas Pobres, mais tarde publicado. Mais informação
Imagem APH
Ana Castro Osório - Escreveu, em 1905, “Mulheres Portuguesas”, o primeiro manifesto feminista português. Foi pioneira na luta pela igualdade de direitos. O seu activismo levou à criação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Colaborou com Afonso Costa na criação da Lei do Divórcio. Defendeu até à exaustão que as mulheres não deviam ser meras peças decorativas e que a educação era o “passo definitivo para a libertação feminina”. Esta mulher notável é considerada a fundadora da literatura infantil em Portugal. Escreveu romances, novelas e peças de teatro.
Mais informação

Maria Veleda foi uma mulher pioneira na luta pela educação das crianças e os direitos das mulheres e na propaganda dos ideais republicanos, destacando-se como uma das mais importantes dirigentes do primeiro movimento feminista português, tendo dedicado grande parte da sua vida à defesa dos ideais de justiça, liberdade, igualdade e democracia, na busca de uma sociedade melhor. Mais informação.
Imagem: APH

Carolina Beatriz Ângelo
Médica, lutadora sufragista e fundadora da Associação de Propaganda Feminista, foi a primeira mulher a votar em Portugal, embora vivesse num país em que o sufrágio universal só seria instituído passados mais de sessenta anos, ou seja, depois do 25 de Abril de 1974.
Mais informação:
As suas ideias
Este post teve a contribuição dos alunos do nono ano, turma F, como forma de homenagear as mulheres que, no nosso país e em tempos difíceis, também souberam fazer história.

Dia Internacional da Mulher


O Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de Março, tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. A data foi adoptada pelas Nações Unidas, em 1975, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.
Mais logo, neste blogue, os alunos irão prestar homenagem a algumas mulheres da I República.


Poema Melancólico a não sei que Mulher

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...

Miguel Torga, in 'Diário VII'

sábado, 6 de março de 2010

Os diferentes governos da República - Acontecimentos

O Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas disponibibiliza, a partir das suas directorias, uma cronologia com os acontecimentos dos governos da I República. Um espaço onde pode ser colhida informação muito importante sobre o evoluir do regime e sobre a composição dos diferentes governos (e foram muitos).

quinta-feira, 4 de março de 2010

A escolha da bandeira nacional

No dia 5 de Outubro de 1910, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, proclamou-se a República. Saíram milhares de pessoas para a rua a festejar, a notícia espalhou-se rapidamente pelo país e a mudança tornou-se um facto consumado.
Uma mudança tão profunda justificava que se escolhesse outra bandeira nacional. Mas que cores se deviam usar? E que símbolos?
O governo não perdeu tempo e logo a 15 de Outubro reuniu um grupo de gente com grande prestígio para que elaborasse um projecto de bandeira. Desse grupo faziam parte: o pintor Columbano Bordalo Pinheiro; o jornalista João Chagas; o escritor Abel Acácio de Almeida Botelho; o capitão de artilharia José Afonso Pala e o primeiro-tenente da Marinha António Ladislau Parreira. Naturalmente inspiraram-se nas bandeiras dos centros republicanos e das sociedades secretas que tinham contribuído para o êxito da revolução. Informação retirada do portal República nas escolas . Ver, também, o site da Presidência da República.
O Daniel deambulou pela web e encontrou algumas das propostas, projectando-as aqui:


Reconhecimento da bandeira nacional em Guimarães

Realizou-se ao meio dia da passada 5ª feira no salão nobre da Sociedade Martins Sarmento a sessão solene em honra da nova Bandeira Portugueza (…). A banda regimental tocou o hynno nacional – A Portugueza – que foi applaudido vivamente pelo povo que o escutava.
(In A Alvorada, n.º 2, 1.º ano, semanário, Guimarães, 3 de Dezembro de 1910)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A implantação da república na imprensa vimaranense - II

A mudança de regime esteve associada a um momento controverso da história nacional, Guimarães sempre fora um profundo bastião do tradicionalismo e da antiga ordem, pelo que houve poucos festejos e muitos amargos de boca entre a "elite dirigente". Na imprensa local o Comércio de Guimarães, jornal assumidamente monárquico, o acontecimento é noticiado tardiamente, e de forma pouco entusiasta sob o título " A Nova Ordem". Já o Alvorada, jornal Republicano, o entusiasmo é bem diferente. No auge das lutas político-partidárias e nos conturbados dias da Primeira República, chegou a verificar-se uma morte! Os republicanos eram então apelidados de forma depreciativa por "formigas brancas". A proclamação definitiva da República em Guimarães ocorreu numa sessão extraordinária da Câmara, realizada a 19 de Junho de 1911. Em termos de preocupações, a governação municipal procurou garantir o aformoseamento da cidade, sendo de destacar a importância concedida à limpeza. Foi aliás criado um Plano para a Remodelação do Serviço de Limpeza Pública. Era uma tentativa de controlar a propagação de doenças, mas também a necessidade de embelezar a cidade numa altura em que o turismo começa a afirmar-se como um sector económico a explorar. (com a colaboração dos docentes Rui Faria e Elisabete Pinto)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A implantação da República na imprensa vimaranense


Lá (Câmara Municipal de Lisboa) como cá (Câmara Municipal de Guimarães), a varanda dos edifícios foi o palco escolhido para proclamar o novo regime.

À meia hora chegou a commissão republicana acompanhada de 2 bandas de música e algum povo. (…) O snr. Dr. Eduardo Almeida digno administrador do concelho, fez a proclamação da varanda do edifício da câmara, içando em seguida a bandeira republicana e levantando vivas à república e à pátria. A força fez a continência e as bandas tocaram a Portugueza.
(…) Assistiram as autoridades civis e militares e algum povo. Dahi marchou a commissão para o quartel de infantaria 20, onde foi içada a nova Bandeira.

(…) não tem sido alterada, felizmente a ordem pública nesta cidade.
Neste artigo é referido que a ordem observada é devida ao povo e ao Sr. Dr. Eduardo de Almeida – administrador do concelho de Guimarães – que por todas as formas tem procurado demonstrar que não estamos num regimem anarchico, mas num regimem, que para se consolidar, precisa de manter a ordem social e o respeito por todos os cidadãos.
(In O Regenerador, n.º 99, 2.º ano, semanário, Guimarães, 14 de Outubro de 1910)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A implantação da República em Guimarães vista pelo Daniel Salazar

Em Guimarães, houve manifestações de apoio ao novo regime por parte dos republicanos. Expressões como 'içada a bandeira na Câmara Municipal, no meio de vivas à República, ao exército, à Pátria, ao povo português'; 'duas bandas de música e a banda regimental'; 'içada a bandeira no quartel de Infantaria 20, repetindo-se as manifestações de regozijo'; 'uma marcha "aux flambeaux"; 'alguns conhecidos republicanos (...) empunhavam bandeiras republicanas'; demonstram a necessidade que se fazia sentir em fazer com que o país se familiarizasse com o novo regime. (Daniel Salazar - aluno do 9º E)
Os factos
No dia 8 foi solenemente proclamada a República nesta cidade. Foi içada a bandeira na Câmara Municipal, no meio de vivas à República, ao exército, à Pátria, ao povo português, etc., etc. O largo fronteiro àquele edifício achava-se repleto de povo, bem como estacionavam ali duas bandas de música e a banda regimental que fez a devida continência à bandeira. Em seguida também foi içada a bandeira no quartel de Infantaria 20, repetindo-se as manifestações de regozijo.
Alguns dias e noites percorreu as ruas da cidade uma marcha “aux flambeaux”, vendo-se á sua frente alguns conhecidos republicanos que entusiasmados soltavam vivas e empunhavam bandeiras republicanas. Em todo o percurso houve boa ordem, debandando tudo sem incidentes. Alguns edifícios particulares hastearam bandeiras e iluminaram as suas fachadas”. (In O Comércio de Guimarães, n.º 2495, 27º ano, bissemanário, Guimarães, 11 de Outubro de 1910)

Tinhamo-lo previsto, como tanta vez o dissemos n’este jornal e só quem fosse cêgo de todo, ou não quizesse ver, poderia suppor o contrário. Tudo caminhava dia a dia veloz para o que succedeu! Tudo. (…) Ainda é, muito cedo para se fazer a história da revolução dos primeiros dias d’este mez… De crer é que mais cedo ou mais tarde alguém competente o faça imparcial e justo (…).
O pobre rei D. Manuel II, infeliz creatura só teve à sua volta incompetentes e maus conselheiros. (…) É certo que o abalo que elle sofreu em 1 de Fevereiro de 1908 foi grande, o de 5 de Outubro foi enorme. (In O Comércio de Guimarães, n.º 2496, 27º ano, bissemanário, Guimarães, 14 de Outubro de 1910)

A implantação da república nas Caldas das Taipas vista pelo Daniel Salazar

Jornal de Notícias - Taipas, 10 Novembro, 91910 - Houve grande enthusiasmo à passagem do illustre ministro de guerra, sendo enorme a concorrencia. A manifestação foi delirante, indiscuptivel. N’um phremesi como nunca, soltaram-se vivas à liberdade. A banda executou “A Portugueza“ e queimaram se foguetes e grande quantidade.
A partir deste documento podemos verificar dois factos: o descontentamento da população das Taipas face ao Regime Monárquico, dadas as manifestações de regozijo relativamente novo regime, dando 'vivas à liberdade' e queimando-se foguetes. Não podemos ignorar o facto desta localidade (na altura aldeia) ter exigido um maior investimento, face ao que era feito em comparação com Caldas de Vizela, daí o provável descontentamento com a Monarquia e simpatia pela República, vendo esta como uma esperança. O segundo facto que quero sublinhar é o da propaganda republicana. Podemos concluir que, assim como o Ministro da Guerra passou pelas 'Taypas', passaria também, ou então outros Ministros, por muitas outras localidades em Portugal, fazendo propaganda de apoio à Republica. O Ministro a que alude a notícia era, na altura, António Xavier Correia Barreto (1853-1939), Ministro da Guerra no governo provisório de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. (Daniel Salazar - aluno do 9º E)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

100 anos da implantação da República em Guimarães

A nossa escola vai dar sequência à actividade "Conto andarilho", coordenado pela Biblioteca Raúl Brandão. A responsabilidade caberá à turma 9º E que, para o efeito, iniciou a produção de texto, dando seguimento ao conto iniciado pela Escola EB 2,3 Arqueólogo Mário Cardoso.
Na escola, esta iniciativa é coordenada pelos docentes de Língua Portuguesa e de História e, ainda, pela coordenadora da Bilioteca Escolar, professora Teresa Castelo Branco.

Presidentes da C. M. de Guimarães durante a Iª República

Ao longo de cerca duas décadas (1910-1926), o municipalismo vimaranense manteve a sua chama bem viva. Numa época de profunda instabilidade política e quando o regime demonstrava grandes dificuldades ditadas pelos acontecimentos que se sucediam, o município de Guimarães foi seguindo o seu percurso, liderado por um grupo de homens que lhe deram a dignidade merecida. Deste grupo destacou-se Mariano Rocha Felgueiras.
  • Até 20 de Outubro de 1910 – Padre João Gomes Oliveira Guimarães
  • 20 de Outubro de 1910 – José Pinto Teixeira de Abreu
  • 2 de Outubro de 1912 – Mariano da Rocha Felgueiras
  • 22 de Janeiro de 1914 – Francisco Moreira Sampaio
  • 7 de Janeiro de 1916 - Mariano da Rocha Felgueiras
  • 3 de Janeiro de 1918 – João Rocha dos Santos
  • 24 de Janeiro de 1919 – José Joaquim Oliveira Bastos
  • 9 de Julho de 1919 - Mariano da Rocha Felgueiras
  • 6 de Dezembro de 1919 – Manuel Bernardino de Abreu
  • 6 de Outubro de 1920 - Francisco Moreira Sampaio
  • 30 de Maio de 1922 – António Lopes de Carvalho
  • 2 de Janeiro de 1923 - Mariano da Rocha Felgueiras
  • 12 de Janeiro de 1923 – Alfredo da Costa Fernandes
  • 28 de Maio de 1923 – Eduardo Cruz Pinto de Almeida
  • 12 de Junho de 1925 - Mariano da Rocha Felgueiras
  • 1 de Janeiro de 1926 – Alfredo João da Silva Correia

Como se pode constar pelo exercício de funções, o período 1919-1923 foi bastante crítico, notando-se uma alternância significativa de rostos, que se iam sucedendo num espaço de tempo muito curto.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Caldas das Taipas: Da Iª República ao Estado Novo

Vivências nas Taipas no período pós revolução (III)

16-06-1910Decreto d’esta data no Diário do Governo de 23 d’este mês, designados os imóveis que devem ser considerados monumentos nacionais em Guimarães e, entre elles, os seguintes: Citânia de Briteiros; Citânia de Sabroso; Lápide das Taipas – Ara de Trajano; Castelo de Guimarães; Paços dos duques de Bragança; Paços Municipais de Guimarães.
03-07-1911 – Principiam a tirar as grades do Toural e levam-nas para fazer um mercado nas Taipas.
09-10-1911À noite, um grupo de homens e mulheres que regressavam de uma vindimada, em Briteiros, deu vivas à monarchia e morras à república. No dia seguinte foram presos, faltando ainda 11.
31-08-1911 – Neste dia foi preso o estimado abade de Vila Nova de Sande, João Cândido da Silva, por ser muito monárquico.
05-12-1917 - No dia 5 de Dezembro de 1917, um movimento revolucionário liderado por Sidónio Pais tomou o poder em Lisboa. Comemorado nas Taipas.
(Informação colhida por Beatriz; Alexandra e Bárbara - 9ºE - Imagem: Praça do Toural, a que se refere o texto)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vivências nas Taipas no período pós revolução (II)

06-04-1920 - Bernardino João corta a luz às Taipas, pedindo alterações ao contrato que tem com a Câmara. O povo das Taipas revolta-se e corre com os vereadores municipais quando estes se deslocam às Taipas na tentativa de dar explicações. Os tumultos são participados à Guarda Nacional Republicana. A Câmara vendo o repúdio do povo, emite um manifesto distribuíndo 1000 panfletos nas Taipas.
28-01-1923 - No Jornal das Taipas é publicado um artigo referindo-se ao desleixo da Câmara para com a freguesia e à persistente malquerença ao progresso desta terra, cuja fonte de receita é das melhores do concelho. Que a partir daquele momento, as velhas Taipas se estavam a transformar numa encantadora povoação moderna. Que apenas o Partido Republicano das Taipas tinha sabido atender às reclamações dos taipenses, que não tiveram até aí ninguém que tivesse ouvido os seus brados de desespero. E, por último referia que o povo sabe albergar no seu peito honesto o verdadeiro amor bairrista.
25-06-1922 - O Jornal das Taipas escreve sobre o Partido Reconstituinte nas Taipas e o trabalho que este desenvolve: Naturalmente anima-nos o desejo de encontrar um agrupamento político que garante servir com mais carinho os interesses locais e, sendo assim, devemos esperar grandes melhoramentos para as Taipas e uma aurora de progresso, quem sabe até se, enfim, a nossa suprema aspiração - o Concelho das Taipas.
24-10-1924 - Toma posse como director clínico do Partido Médico das Taipas, por indicação do governo republicano, o Dr Alfredo Fernandes.
(Informação colhida por Beatriz; Alexandra e Bárbara - 9ºE - Imagem da época)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Vivências nas Taipas no período pós revolução

Quotidiano na freguesia de Caldelas - Caldas das Taipas no período de implantação da República. Esta informação foi colhida junto do senhor Carlos Manuel Silva Marques (obra inédita não editada As Taipas na primeira metade do século XX) que disponibilizou algum do seu espólio para podermos avaliar o dia-a-dia da população, no período em questão.
25-01-1911 - A Câmara Municipal de Guimarães, perante cópia da acta da Junta de Freguesia das Taipas, em que esta requeria ao governo a criação de um curso nocturno, decide não dar provimento ao pedido, oficiando ao governo a inoportunidade da criação desse curso em virtude de haver ainda freguesias sem curso diurno.

31-05-1911 - Nos termos da lei da Separação do Estado da Igreja, após a queda da Monarquia, é nomeado para fazer parte da comissão concelhia, em representação da freguesia, o paroquiano Manuel da Silva Rocha.

19-10-1911 - Foi preso, por monarchico, o Padre João Chrysóstomo de Faria, ex-capellão do coro da collegiada, e levado a Lanhoso, sua naturalidade, e a Braga, ahi foi solto e à noite já ficou nas Taipas.
22-04-1914 - Concurso para provimento de lugar de 2º professor na Escola de sexo masculino (colocada a professora Virgínia Pereira Martins).

03-10-1915 - Inauguração da avenida de ligação dos balneários termais, atribuição do topónimo "Avenida da República" e inauguração do centro local da Comissão dos Republicanos das Taipas.

10-12-1915 - As termas das Taipas, sociedade anónima, obtém licença pa edificar o Hotel das Termas.

05-12-1917 - Revolução política nacional, liderada por Sidónio Pais, com a deposição de Afonso Costa e de Bernardino Machado. Inicia a ditadura militar com a participação do Partido Unionista. Esta revolução é sentida nas Taipas e, durante os anos seguintes, homenageada. Tem intervenção na sala do Senado, o senador tribuno taipense, Padre Silva Gonçalves.

22-02-1919 - A Junta de Freguesia envia telegrama ao Presidente da República pelo restabelecimento da ordem no país. Terminara a guerra civil a 13 de Fevereiro, liquidando a denominada Monarquia do Norte e a Junta Governativa liderada por Paiva Couceiro. Teve papel fulcral e a nível de todo o norte, o taipense Alfredo Fernandes, distinto repúlico.

05-10-1919 - A freguesia das Taipas vê, pela primeira vez, a luz eléctrica a funcionar, instalada por Bernardino Jordão.
(Informação colhida por Beatriz; Alexandra e Bárbara - 9ºE - Imagem: Praça Carvalho Salgado em dia de mercado)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Toponímia - Praça da República

Decisão sobre a atribuição do nome "República" a uma praça de Caldelas - Caldas das Taipas (imagem ao lado e no topo do blogue). A decisão foi tomada em deliberação da Câmara Municipal de Guimarães, de 11 de Fevereiro de 1911, como se pode verificar da leitura de um trecho da acta correspondente. (Informação colhida por Beatriz; Alexandra e Bárbara - 9ºE).
Os factos:
Deliberou por proposta do cidadão vogal do Pelouro das Taipas, substituir os nomes da Praça de Carvalho Salgado e Praça do Mercado da freguesia de Caldelas, povoação das Caldas das Taipas, pelo de Praça da República. (Acta de 11-02-1911 – Câmara Municipal)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

As repercussões em Guimarães da instauração da República

No dia 5 de Outubro de 1910, a cidade de Guimarães ainda não tinha conhecimento do que se passava em Lisboa. Contudo, havia uma desconfiança de que alguma coisa estava a acontecer no Sul do país. Essa desconfiança tornou – se uma certeza quando os meios de comunicação (jornais) não chegaram, na altura em que deviam ter chegado, à cidade berço da nação. No entanto, soube–se, por pessoas vindas do Porto, que o governo civil desta cidade não tinha comunicações oficiais de Lisboa. Precavendo alguma situação grave, o Regimento da Infantaria 20 ficou de prevenção.
Finalmente, Guimarães receberá a notícia no dia 7, pelas 12 horas da tarde, da implantação da República. Ao contrário dos nossos dias, e embora Guimarães fosse já uma cidade bastante desenvolvida, a informação chegava tarde a determinadas populações. (Ângela Salgado; Cheila Lima; Susana Salgado – 9ºF). Imagens: Povo diante da C M Lisboa no dia cinco de Outubro, Ilustração Portuguesa, Nº 242, 10/10/1910 e Quartel General dos Revolucionários, Ilustração Portuguesa, Nº 243 de 17/10/1910
Os factos:
(…) a falta de jornaes de Lisboa que ontem aqui deviam chegar, como de costume no comboio das 6.40 da tarde, levou-nos à desconfiança de que alguma coisa de anormal se passava no sul. Desconfiança essa que se tornou certeza quando os jornaes não vieram no último comboio das 9 horas da noite e quando aqui se soube, por pessoas vindas do Porto, que o governador civil d’ahi não tinha comunicação oficial de Lisboa, quer pelo telegrapho quer pelo telephone.
Como sucedeu ontem o regimento d’infantaria 20 está hoje todo de prevenção.
Nem ontem nem hoje foi aqui recebida a correspondência de Lisboa”. (In Jornal de Noticias, n.º 236, diário, Porto, 6 de Outubro de 1910)
Telegrama
Da importante e conceituada Agencia Havas recebemos no dia 7, às 12 horas da tarde, o seguinte telegrama:
Lisboa, 5, às 12,5,T. - Commercio de Guimarães
Proclamada a republica
Havas
(In O Comércio de Guimarães, n.º 2495, 27º ano, bissemanário, Guimarães, 11 de Outubro de 1910)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Vivências religiosas - A edificação da Igreja matriz (1910)

Em 1910, o Conde de Agrolongo (José Francisco Correia, primeiro e único visconde de Sande e conde de Agrolongo) determina, a expensas suas, a construção da actual Igreja Matriz, que se prolonga por cinco anos, segundo o projecto de João de Moura Eça Coutinho. Nasceu no concelho de Guimarães e com dez anos de idade parte para o Brasil, estabelecendo-se em Niterói. Com dezoito anos cria a sua própria indústria, no ramo de tabacos, a Fábrica de Fumos Veado. O seu sucesso foi imediato. Em Portugal o Conde de Agrolongo apoia e funda de raiz muitos estabelecimentos entre escolas, igrejas, asilos e outra ajuda beneficente.
Os factos:
O respeitável Conde de Agrolongo acaba de praticar mais um acto de altissimo significação e benemerencia vae, a expensas suas, mandar construir uma nova igreja parochial na freguesia de Caldas das Taypas (S. Thomé). O snr. José António d’Araujo Barbosa, compadre e representante do benemerito Conde, chamou hoje a esta cidade o rev. Padre Domingos José Antunes Machado, digno parocho daquella freguesia, e o snr. António de Freitas Ribeiro, a quem apresentou a planta da obra, e a determinação do mesmo snr. Conde, para se proceder à construção da igreja. A planta é dum soberbo effeito. Parabens ao povo das Taypas pelo grande beneficio que lhe presta o snr. Conde de Agrolongo. S. Ex.ª depois de ter prestado o seu concurso e inciativa em tantas obras vae agora louvar os povos das Taypas com a construção dum templo modelo pela sua forma artistica e elegancia que muito se nota na planta geral que nos foi apresentada. Os povos das Taypas devem saber testemunhar ao seu benemerito doador a sua gratidão e o seu fundo reconhecimento. “O Regenerador“ congratula-se com os taypenses pelo grande beneficio que vae prestar-lhes o benemerito vimaranense, snr. Conde de Agrolongo, e dirige os seus cordeaes parabens ao grande amigo das Taypas, snr. António de Freitas Ribeiro, por ser dotado com este importante melhoramento a linda povoação, a cujo progresso tem consagrado toda a sua actividade e rasgada iniciativa. (O Regenerador, 1910, nº 88)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Vivências pessoais - Outros republicanos do Concelho de Guimarães

José Jacinto Júnior (1875-1967), um homem com um ideário político democrático, assente nas liberdades individuais e colectivas, numa ideia de progresso social de tipologia humanista. Fez parte do núcleo revolucionário de Guimarães, tendo estado estreitamente ligado à revolução de cinco de Outubro. Embora com uma formação académica muito elementar, não deixou de acariciar os livros como um instrumento vital de cultura, formando uma biblioteca com vários milhares de exemplares.
José Ribeiro de Freitas (1874-1940), nasceu em Fermentões, tornando-se professor da Escola Industrial Francisco da Holanda e um artista de renome. Foi vereador da Câmara Municipal de Guimarães. Enquanto artista deixou a sua marca em algumas obras do concelho.
José Fernandes Guimarães (1888-1948), vereador da Câmara Municipal de Guimarães, integrou o Centro Republicano. Fervoroso republicano e democrata, participou na industrialização do concelho de Guimarães.
Francisco da Silva Correia (1889-1982), irmão de José Fernandes Guimarães. Foi um lutador anti-fascista, animando algumas tertúlias vimaranenses com as suas ideias, cavadas num republicanismo de rosto humano, bem expresso na forma como procurou ajudar amigos e famílias republicanos, presos por motivos políticos. Era um profundo conhecedor da História da sua cidade.
Informação mais detalhado sobre estas personagens republicanas podem ser colhidas no título “Sobre a República em Guimarães” (1993), uma edição da C. M. de Guimarães.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Vivências pessoais - Republicanos ilustres do concelho


Mariano da Rocha Felgueiras nasceu no dia 8 de Fevereiro de 1884, na freguesia de Mesão Frio, no concelho de Guimarães. Era filho de Nicolau Máximo Felgueiras e de Bernardina Adelaide da Rocha Felgueiras, neto paterno de um vimaranense ilustre, o conselheiro João Baptista Felgueiras. Em 1918 concluiu o curso de bacharel, em Direito, na Universidade de Coimbra. Durante a monarquia, integra o Centro Republicano, em Guimarães.
Após a proclamação da República, iniciou uma intensa actividade na vida política e autárquica. Pertenceu ao Partido Republicano Português e, mais tarde, aquando da cisão daquele partido, militou no Partido Democrático, sob chefia de Afonso Costa. Ao serviço da autarquia, passou pelo exercício de vários cargos. Exerceu funções de vice-presidente da comissão administrativa da Câmara Municipal de Guimarães, sendo presidente José Pinto Teixeira de Abreu, foi eleito presidente da comissão executiva e, de Janeiro a Junho de 1926, assumiu a presidência da câmara.
Nas funções de autarca, procedeu, a partir de 1914, a grandes melhoramentos no município, nomeadamente, a viação eléctrica entre Guimarães e Braga, a construção de um bairro operário e o embelezamento de determinados espaços (Castelo). Elaborou o Plano de Alargamento da cidade e a construção de um edifício para aí instalar os Paços do Concelho, projecto da autoria do consagrado arquitecto Marques da Silva, mas que nunca foi concluído. Em 1922, Mariano Felgueiras foi eleito deputado pelo Círculo de Guimarães, tendo sido de novo eleito para a legislatura seguinte, em 1925. Enquanto parlamentar, Mariano Felgueiras batalhou pela criação do curso comercial na Escola Francisco de Holanda onde, em 1926, entrou como professor. Participou no Movimento Revolucionário que eclodiu em Guimarães, em Fevereiro de 1927. Foi perseguido e  procurou refúgio na Galiza e mais tarde em França. Mariano Felgueiras faleceu a 24 de Janeiro de 1976, com 91 anos de idade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Vivências republicanas - a revolução na imprensa vimaranense

Será que a primeira cidade da monarquia foi a última cidade da república? (Alfredo Pimenta)
A leitura que a imprensa de Guimarães teve sobre a revolução republicana, foi alicerçada na componente ideológica de que estavam eivados os diferentes jornais que, na alltura, eram publicados no concelho. Uns enalteciam o carácter cívico e a luta heróica dos revolucionários, outros, mais conservadores e fieis à monarquia, a(de)nunciavam a revolução.
O Regenerador (nº 98) titulava: Depois de renhida luta, em que, segundo se consta, morreram muitas  pessoas, foi proclamada a República em Lisboa. Ontem alguns partidários do novo regime, sairam para a rua.
A Restauração (nº 294) afirmava: Quarta feira, como os nossos leitores devem saber, foi proclamado o regime republicano em Lisboa, depois de dois dias de porfiada e sangrenta luta entre as forças fieis à monarquia e as forças de mar e terra revoltadas e auxiliadas pelo povo.
No Independente (nº 461) era a seguinte a notícia: Após uma luta heróica entre revolucionários e as tropas que se conservaram fieis às instituições monárquicas, trinfou a causa republicana ao cabo de um renhido combate que se prolongou durante dezanove horas. Com a assistência da Comissão Municipal Republicana, autoridades e outras individualidades, realizou-se ao meio dia no edifício da Câmara Municipal desta cidade a proclamação da república portuguesa, sendo hasteada nos Paços do Concelho a Bandeira da República.
O Comércio de Guimarães (nº 2495), de inspiração monárquica, referia: Como em quase todas as terras do País, em Guimarães também houve manifestações de regozijo pelos adeptos do novo regime (...) A não ser vivos comentários, discussões e manifestações, nada de anormal se tem passado em Guimarães.
(Fonte - Sobre a República em Guimarães (1993), vários autores, edição da C M de Guimarães)
















Proclamação da república por José Relvas na C. M. de Lisboa e embarque da família real (Ilustração Portuguesa, 10 de Outubro de 1910)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Vivências literárias

No âmbito do seu programa para a comemoração do Centenário da República, o Agrupamento de Escolas das Taipas, em parceria com a Biblioteca Escolar e com o Plano Nacional de Leitura, colocou à disposição dos alunos e dos docentes algumas obras para leitura e exploração em contexto de sala de aula, abrangendo todos os ciclos de estudo. A leitura reflexiva representa uma das boas vias para entender a realidade assumindo, de igual modo, uma importância vital como estratégia de melhoria do processo ensino–aprendizagem ao contribuir para o desenvolvimento, nas crianças e jovens, de capacidades de análise crítica e de síntese. Para viver com autonomia, com plena consciência de si próprio e dos outros, para poder tomar decisões face à complexidade do mundo actual, para exercer uma cidadania activa, é indispensável dominar a leitura. Determinante no desenvolvimento cognitivo, na formação do juízo crítico, no acesso à informação, na expressão, no enriquecimento cultural e em tantos outros domínios, é encarada como uma competência básica que todos os indivíduos devem adquirir para poderem aprender, trabalhar e realizar-se no mundo contemporâneo (In portal do Plano Nacional de Leitura).
A escolha deste tipo de literatura fundamentou-se na percepção de que a leitura deve assumir-se como factor de desenvolvimento individual e de progresso nacional, sendo indispensável uma prática constante. A conjugação do verbo ler não pode ser feita no imperativo, sob pena de não se induzirem hábitos de leitura que impliquem deleite e grande satisfação nos potenciais leitores. Aproveitando a comemoração do Centenário da República, foi solicitado à Biblioteca Escolar a aquisição de um conjunto de exemplares relacionados com a temática da República, ajustados às idades dos alunos, propiciando, desta forma, a aquisição de competências de leitura e, fundamentalmente, competências ao nível da comunicação e da compreensão históricas.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Vivências políticas















Um ano antes da revolução, as gentes de Caldas das Taipas demonstravam o seu descontentamento, face ao menor investimento que era feito na localidade, em comparação com Vizela. Fruto da crescente importância que as termas estavam a ter, trazendo à vila muitos turistas e frequentadores daquele espaço, o lamento fazia-se sentir pelo facto da modernização dos balneários termais oferecerem serviços e produtos, que em muito aumentavam as receitas do município, sem que tal representasse um retorno em termos de investimento, ao nível das infra-estruturas. 9º F  (Imagens: Caldas das Taipas; Guimarães - 1910)
Os factos
As Taypas, com o seu novo e modelar balneário a par da muita proficiencia e afabilidade do seu director clinico Dr. Alberto Ribeiro de Faria, que a todos os banhistas tem deixado optimamente impressionados, caminham para um futuro ridente e prospero, não só para o concessionario dos balneários, mas tambêm para os povos desta povoação [...], propocionando-lhes melhor e mais fácil venda dos seus productos e generos commerciaes, e ainda para o municipio deste concelho, aumentando-lhe as suas receitas provenentes de maior consumo. Apesar disso, várias obras se acham devidamente approvadas e datadas, algumas dellas das que muito concorreriam para o melhoramento e aformoseamento desta povoação; mas , por motivos que os nossos leitores facilmente podem conhecer o illustre senado prefere ter em cofre as respectivas quotas, do que realisar ou cumprir obras que só servem para mais reviver o nome do melhor e mais incansavel defensor dos interesses desta tão despresada povoação que só a elle deve os melhores melhoramentos que possue. Não attende a vereação que nos rege às necessidades desta povoação, mas para Vizella e para mediocres influentes , não lhes falta dinheiro, desbarantando-o até.“ (O Regenerador, 24 de Setembro de 1909, Nº 44)


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Vivências termais


A 21 de Julho de 1907, a Empresa Termal das Taipas S.A.R.L, inaugurava ao público a fonte de água termal (“buvette”), constituída por uma nascente com aproximadamente 4 metros de profundidade e por um busto de um leão esculpido em mármore, de onde brotam ininterruptamente, as águas medicinais.
Aquando da inauguração desta fonte, procedia-se através da Empresa Termal das Taipas à construção de um novo e moderno balneário, onde ainda hoje funcionam os banhos de imersão, duches, inalações, pulverizações, irrigações e massagens. Em 1906 a Câmara Municipal de Guimarães arrendou a exploração das termas a José Antunes Machado, que entretanto a cedeu à Empresa Termal, que seria constituída formalmente por escritura pública apenas a 4 de Maio de 1910, tornando-se até 1986, a concessionária das duas nascentes termais (Banhos Velhos e Banhos Novos), e à qual se deve a construção do Hotel das Termas, iniciado em 1915 e que terminaria somente em 1924.
O Prof. Charles Lepierre da Universidade de Coimbra, em Novembro de 1909, veio expressamente a esta vila visitar os novos balneários, examinar e analisar as suas nascentes nos Banhos Velhos e nos Banhos Novos, onde pôde ver a recém-construída “buvette”. O distinto analista de renome internacional ficou bem impressionado, tendo publicado pouco tempo depois um pequeno livro onde se debruçava sobre as características destas águas e das suas modernas instalações. (cortesia, prof. António Oliveira. Imagens: Banhos velhos e Fonte termal-buvette)


Os factos:
Abriu já o excellente balneario das Taipas, estabelecimento moderno, commodo, hygienico, que é sem duvida um grande beneficio para aquella formosa povoação, e a que ficará para sempre ligado o nome de António de Freitas Ribeiro, cuja iniciativa rasgada e intelligente arrancou a prospera estância thermal ao estacionamento em que definhava . Já alli se nota um regular movimento de banhistas (O regenerador - 1909, 21 de Maio, Nº 26, Guimarães)

Esteve no ultimo domingo nas Caldas das Taipas aonde foi chamado pelo concessionario dos balneários das referidas thermas, o distincto clinico analysta de Coimbra Mr. Charles Lepierre, que alli foi expressamente vizitar os balneários, examinar as suas nascentes e colher as precizas dozes de agua para proceder às respectivas analyses, trabalho este que o concessionario quer ter feito antes da abertura da proxima epocha balnear. O distincto analysta ficou optimamente impressionado com o novo balneário, elogiando a limpeza e installações . Durante a vizita foi sempre acompanhado pelo nosso amigo e estimado director clinico dos balneários snr. dr. Alberto Ribeiro de Faria, que o acompanhou a esta cidade, regresando a Coimbra no dia seguinte. “ (Idem, 1909, 12 de Novembro, Nº 51)

sábado, 2 de janeiro de 2010

Avenida da Republica


Para comemorar o fim da monarquia e a instauração da república, foi atribuída a uma artéria da vila a designação de "Avenida da República"

O passado ... ilustrado pelo presente - A piscina

Desde os primódios da República, houve uma preocupação natural das entidades competentes de Caldas das Taipas em dotar a vila de um conjunto de equipamentos de lazer que permitisse uma maior qualidade de vida aos taipenses. Um desses equipamentos foi a piscina, uma das primeiras do Concelho de Guimarães.
A piscina foi construída em 1951. Segundo informação oral, inicialmente era para ser um tanque de rega para o parque fluvial. Com a iniciativa do então Presidente da Junta de Freguesia, José de Oliveira, esse projecto inicial foi "alargado" para piscina com o apoio da Junta de Turismo de Caldas das Taipas.
Com a extinção das Juntas de Turismo, este equipamento juntamente com o parque fluvial, courts de ténis e parque de campismo foram absorvidos pela Cooperativa Taipas-Turitermas em 1986. Esta cooperativa ainda hoje gere a piscina. Uma das fotos está datada de 1976, referindo-se à construção da piscina das crianças. As restantes serão das décadas de 50 e 60. Na década de 50, na esplanada de festas da piscinas realizavam-se várias arraiais minhotos que revertiam para o Turismo Hóquei Clube. Com a criação do campo de campismo na década de 60, os turistas tinham acesso gratuito à piscina.