segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Uma análise corrosiva de Guerra Junqueiro sobre o estado letárgico do povo português

Um povo imbecilizado e resignado,
humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo,
burro de carga,
besta de nora,
aguentando pauladas,
sacos de vergonhas,
feixes de misérias,
sem uma rebelião,
um mostrar de dentes,
a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas
é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante,
não se lembrando nem donde vem,
nem onde está,
nem para onde vai;
um povo, enfim,
que eu adoro,
porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso
da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro
de lagoa morta (...) Uma burguesia,
cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal,
sem palavras,
sem vergonha,
sem carácter,
havendo homens
que, honrados (?) na vida íntima,
descambam na vida pública
em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia,
da mentira à falsificação,
da violência ao roubo,
donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral,
escândalos monstruosos,
absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...) Um poder legislativo,
esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador;
e este, finalmente, tornado absoluto
pela abdicação unânime do país,
e exercido ao acaso da herança,
pelo primeiro que sai dum ventre
- como da roda duma lotaria.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara
ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos (...),
sem ideias,
sem planos,
sem convicções,
incapazes (...)
vivendo ambos do mesmo utilitarismo
céptico e pervertido, análogos nas palavras,
idênticos nos actos,
iguais um ao outro
como duas metades do mesmo zero,
e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)
Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896

A Republica da pequenada 2



sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Uma história da República contada pelas crianças


No âmbito da comemoração do Centenário da República, os meninos do pré-escolar apresentaram aos seus colegas mais adultos e à comunidade, uma pequena história encenada sobre a transição da monarquia para a República. Ficou o registo impressionante destes artistas de tenra idade que, de viva voz, interpretaram alguns quadros da monarquia e os ambientes republicanos que lhe sucederam.
Para o sucesso desta iniciativa, contribuiu o excelente trabalho desenvolvido pela sua educadora (Lígia). No final foram aplaudidos pelos colegas e pelos seus pais, que fizeram questão de estar presentes. Visitaram, de seguida, a Exposição "Tenho fé na República".

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

História da república


Trabalho realizado por Adriana Pereira e Juliana Barbosa (9º F)

sábado, 23 de outubro de 2010

Sarau "Tenho fé na República"

Este sarau teve como objectivo principal preservar um acontecimento histórico da nossa memória colectiva: “A Implantação da República de 1910”. Reviver este evento significa entrar no pensamento político da época; reflectir sobre direitos e deveres de cidadania, instituídos pela nossa República; e consciencializar os participantes (alunos, professores e comunidade) para princípios inalienáveis da Democracia, como a Liberdade, a Responsabilidade, a Igualdade e a Solidariedade. Foi, também, um contributo expressivo para a valorização da Língua Portuguesa, quer ao nível da leitura, interpretação dos textos e poemas da época, quer ao nível da sua comunicação.

Foi elaborado um guião com excertos do livro de “ Memórias – Tomo I” de Raul Brandão e de “Pátria” de Guerra Junqueiro. Intercalados com estes excertos, selecção de poemas de Mário Sá Carneiro, Gomes Leal, Fernando Pessoa e Almada Negreiros. Depois de efectuado o alinhamento de todo o material literário, procedeu-se a uma encenação dramática dos principais momentos revolucionários da implantação da República. Parafraseando Fernando Pessoa, no seu poema “Mar Português”: - Valeu a pena? Sim, vai valer a pena. As nossas almas não serão pequenas para espelhar os cem anos da República Portuguesa.



O sarau decorreu na noite de 4 de Outubro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Comemoração do centenário - Recital de poesia




Divulgação do recital sobre a República.
Actividade destinada a toda a comunidade das Taipas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Concursos sobre a República


Concursos a desenvolver no AET

Concurso Conhecer os Presidentes da República - Elaboração de biografias sobre os Presidentes da República. Trabalhos individuais ou colectivos.

Concurso Imagens da República - Elaboração e selecção do melhor cartaz sobre a República. Trabalhos individuais ou colectivos .

Figuras Republicanas - Fixar, na sala de aula, uma figura republicana e a sua biografia. Trabalho elaborado pelos alunos.

Concurso – Caricaturas e cartoons da República - Recolha de cartoons e caricaturas sobre o fim da monarquia e os primeiros anos de república.

Regulamento - consultar Departamento de CSH

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Sobre os presidentes da C. M. de Guimarães

Do nosso leitor Francisco Brito recebemos duas notas sobre alguns vultos da política vimaranense:

1º - O Dr. José Joaquim de Oliveira Bastos não foi Presidente da Câmara durante a I República. Foi Presidente da Câmara durante a Monarquia do Norte (que durou aproximadamente 25 dias). Oliveira Bastos foi (juntamente com o Conde de Margaride e, se não me engano, com o Coronel Amado) um dos principais opositores à I República em Guimarães, tendo estado ligado a vários movimentos monárquicos durante esse período.

2º- O facto de se ter exercido o cargo de Presidente da Câmara durante a I República não é sinónimo de se ser republicano... Por exemplo o Dr. João Rocha dos Santos era monárquico e, quando se deu a restauração monárquica no norte do país, saudou o movimento monárquico (como se pode ver no Livro de Actas da C. M. Guimarães).
Os alunos da turma responsável pelo blogue agradecem esta prestimosa colaboração.

domingo, 23 de maio de 2010

Construção da bandeira nacional em telas modulares

Planificação do trabalho a desenvolver:

1. O trabalho vai se levado a cabo pelo grupo disciplinar de Educação Visual e Tecnológica, do 2.º ciclo do Ensino Básico e pelos grupos disciplinares de Educação Visual e de Educação Tecnológica, do 3.º ciclo.

2. Tratamento iconográfico da Bandeira da República:
a) a bandeira nacional vai ser tratada num conjunto de sete telas de 1,20 m X 0,60 m;
b) cada tela representará um símbolo integrante da bandeira acompanhado pelo texto explicativo do respectivo significado;
c) numa tela de maior dimensão (2,10 m X 1,40 m) será apresentada a actual Bandeira da República, conforme a imagem.
3. O trabalho final será exposto na praça central de Caldas das Taipas, na “Semana da República” (de 1 a 10 de Outubro).
4. A comissão organizadora pretende reproduzi-lo em placard modular (outdoor) para apresentação noutros espaços públicos.
5. Por fim, será colocado em local de destaque na Escola Básica do 2.º e 3.º ciclos de Caldas das Taipas.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Raul Rego - República: regime civilista (2)




É que a República antes de ser o nome de um regime é a vida das gentes e é mesmo regime. É a coisa pública, é por vontade do povo, seja a aclamação de um rei ou príncipe nos campos de S. Mamede, seja a proclamação de um governo provisório, nos Paços do Concelho de Lisboa, em 1910, sejam os acordes de uma "Grândola Vila Morena" a despertarem os cidadãos, militares ou civis, atirando-os para a rua para retomarem os seus direitos, numa manhã de Abril de 1974. Somos o povo independente mais antigo da Europa e não nos parece dispiciendo lembrá-lo numa altura em que os meios de comunicação, as possibilidades de diálogo, nos vão ajudando a constituir a cidadania europeia. E porque não tornar realidade o sonho daqueles que, como Salvador Madariaga se dizem cidadãos por convicção. A convicção firme das gentes é mais forte e sólida pedra das leis.

Raul Rego, República Regime Civilista, conferência proferida no 83º aniversário da Implantação da República (Guimarães).

quarta-feira, 28 de abril de 2010

República - regime civilista (Raul Rego)


Aqui nasceu a República-nação portuguesa e bem se pode dizer que o castelo de Guimarães é, no século XII, o que há-de ser a Rotunda no século XX, os dois grandes padrões do historial da família portuguesa, chamem-se os seus dirigentes príncipes, reis ou presidentes. Não serão as cortes de Coimbra que dizem em 1385 ao príncipe D. João "autorizamo-lo a que se chame Rei"? Os reis, como os presidentes, só o são verdadeiramente por vontade dos povos, ou serão tirânicos, usurpadores de funções que lhes não competem e contra os quais os povos reagem, seja contra Dona Teresa e o conde Peres de Trava, no século XII, seja contra D. Manuel II e a rainha Dona Amélia, no século XX. A primeira reacção marca como que a data do nascimento do país, confirmado na Batalha de S. Mamede; a segunda marca a implantação da República, na Rotunda, em 5 de Outubro de 1910. Raul Rego, República Regime Civilista, conferência proferida no 83º aniversário da Implantação da República (Guimarães).

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Viver Abril


Ao longo da próxima semana, a Escola terá patente uma exposição sobre o 25 de Abril. Desta exposição faz parte um conjunto de materiais elaborados pelos alunos do nono ano. Paralelamente serão ministradas algumas aulas sobre esta temática. As turmas D, E e F elaboraram cartazes alusivos à temática "Rostos da Democracia" que foram disseminados pela escola.

sábado, 27 de março de 2010

Primeira comissão republicana de Guimarães




Lista completa dos membros: José Pinto Teixeira Abreu, Presidente; Mariano Felgueiras, Manuel Ferreira Guimarães, Júlio António Cardoso; José Leite Rodrigues da Silva; Manuel Caetano Martins; José Ribeiro de Freitas. (Cortesia, prof. Rui Faria)

sexta-feira, 26 de março de 2010

O ensino em Guimarães no início da República


Naquela época, no concelho de Guimarães, o número de escolas existentes era apreciável, apesar de nem todas elas estarem em funcionamento. As escolas eram divididas por três sectores, as escolas do sexo masculino, as do sexo feminino e as mistas. Era maior o número de escolas do sexo masculino, pois também era superior o número de rapazes matriculados. Muitas crianças não eram matriculadas. O número de crianças recenseadas é bastante maior do que o número de crianças matriculadas nas escolas do concelho de Guimarães.
Os exames eram executados e em seguida avaliados por um júri. Era maior o número de alunos aprovados por suficiente do que por óptimo. O número de aprovados por distinção era bastante reduzido. Muitas crianças chegavam até a faltar. Nesta altura, as crianças eram muitas vezes obrigadas a conjugar a escola com o trabalho.
Post: Francisca - 9º D; Imagem - Grupo de raparigas do Colégio de Santa Maria em trajes tradicionais minhotos, aquando da «festa recitativa» dedicada às famílias das alunas, que teve lugar nos dias 15 e 16 de Maio de 1918. Casa de Sarmento

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ecos da República em Guimarães


1910 - Junto à sede Republicana rebentam dois petardos. Na mesma semana é aberta a nova sede do Centro Republicano. A Comissão Municipal Republicana edita como órgão oficial o jornal de Guimarães tendo como director A. L. de Carvalho. Em Novembro aparece o semanário do Partido progressista "Correio de Guimarães" tendo como director J. Rocha dos Santos. Em 7 de Dezembro, Mariano Felgueiras funda o jornal republicano "A Velha Guarda". No largo da Oliveira, no edifício dos Paços do concelho é proclamada a República. Fica como administrador do concelho, o Dr. Eduardo de Almeida.
Vide a obra editada pelo Circulo de Arte e Recreio, Sobre a República em Guimarães, 1995 e o texto de J. Santos Simões 90º Aniversário da República. Para que Guimarães não esqueça, editada pelo Circulo de Arte e Recreio,2001
Foto: Largo da Oliveira (in Casa de Sarmento)