Um povo imbecilizado e resignado,
humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo,
burro de carga,
besta de nora,
aguentando pauladas,
sacos de vergonhas,
feixes de misérias,
sem uma rebelião,
um mostrar de dentes,
a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas
é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante,
não se lembrando nem donde vem,
nem onde está,
nem para onde vai;
um povo, enfim,
que eu adoro,
porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso
da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro
de lagoa morta (...) Uma burguesia,
cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal,
sem palavras,
sem vergonha,
sem carácter,
havendo homens
que, honrados (?) na vida íntima,
descambam na vida pública
em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia,
da mentira à falsificação,
da violência ao roubo,
donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral,
escândalos monstruosos,
absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...) Um poder legislativo,
esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador;
e este, finalmente, tornado absoluto
pela abdicação unânime do país,
e exercido ao acaso da herança,
pelo primeiro que sai dum ventre
- como da roda duma lotaria.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara
ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos (...),
sem ideias,
sem planos,
sem convicções,
incapazes (...)
vivendo ambos do mesmo utilitarismo
céptico e pervertido, análogos nas palavras,
idênticos nos actos,
iguais um ao outro
como duas metades do mesmo zero,
e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)
Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Uma história da República contada pelas crianças
No âmbito da comemoração do Centenário da República, os meninos do pré-escolar apresentaram aos seus colegas mais adultos e à comunidade, uma pequena história encenada sobre a transição da monarquia para a República. Ficou o registo impressionante destes artistas de tenra idade que, de viva voz, interpretaram alguns quadros da monarquia e os ambientes republicanos que lhe sucederam.
Para o sucesso desta iniciativa, contribuiu o excelente trabalho desenvolvido pela sua educadora (Lígia). No final foram aplaudidos pelos colegas e pelos seus pais, que fizeram questão de estar presentes. Visitaram, de seguida, a Exposição "Tenho fé na República".
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
História da república
Trabalho realizado por Adriana Pereira e Juliana Barbosa (9º F)
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História da República
sábado, 23 de outubro de 2010
Sarau "Tenho fé na República"
Este sarau teve como objectivo principal preservar um acontecimento histórico da nossa memória colectiva: “A Implantação da República de 1910”. Reviver este evento significa entrar no pensamento político da época; reflectir sobre direitos e deveres de cidadania, instituídos pela nossa República; e consciencializar os participantes (alunos, professores e comunidade) para princípios inalienáveis da Democracia, como a Liberdade, a Responsabilidade, a Igualdade e a Solidariedade. Foi, também, um contributo expressivo para a valorização da Língua Portuguesa, quer ao nível da leitura, interpretação dos textos e poemas da época, quer ao nível da sua comunicação.
Foi elaborado um guião com excertos do livro de “ Memórias – Tomo I” de Raul Brandão e de “Pátria” de Guerra Junqueiro. Intercalados com estes excertos, selecção de poemas de Mário Sá Carneiro, Gomes Leal, Fernando Pessoa e Almada Negreiros. Depois de efectuado o alinhamento de todo o material literário, procedeu-se a uma encenação dramática dos principais momentos revolucionários da implantação da República. Parafraseando Fernando Pessoa, no seu poema “Mar Português”: - Valeu a pena? Sim, vai valer a pena. As nossas almas não serão pequenas para espelhar os cem anos da República Portuguesa.
O sarau decorreu na noite de 4 de Outubro de 2010
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Sarau republicano; Teatro; república
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Concursos sobre a República

Concursos a desenvolver no AET
Concurso Conhecer os Presidentes da República - Elaboração de biografias sobre os Presidentes da República. Trabalhos individuais ou colectivos.
Concurso Imagens da República - Elaboração e selecção do melhor cartaz sobre a República. Trabalhos individuais ou colectivos .
Figuras Republicanas - Fixar, na sala de aula, uma figura republicana e a sua biografia. Trabalho elaborado pelos alunos.
Concurso – Caricaturas e cartoons da República - Recolha de cartoons e caricaturas sobre o fim da monarquia e os primeiros anos de república.
Regulamento - consultar Departamento de CSH
Concurso Imagens da República - Elaboração e selecção do melhor cartaz sobre a República. Trabalhos individuais ou colectivos .
Figuras Republicanas - Fixar, na sala de aula, uma figura republicana e a sua biografia. Trabalho elaborado pelos alunos.
Concurso – Caricaturas e cartoons da República - Recolha de cartoons e caricaturas sobre o fim da monarquia e os primeiros anos de república.
Regulamento - consultar Departamento de CSH
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Sobre os presidentes da C. M. de Guimarães
Do nosso leitor Francisco Brito recebemos duas notas sobre alguns vultos da política vimaranense: 1º - O Dr. José Joaquim de Oliveira Bastos não foi Presidente da Câmara durante a I República. Foi Presidente da Câmara durante a Monarquia do Norte (que durou aproximadamente 25 dias). Oliveira Bastos foi (juntamente com o Conde de Margaride e, se não me engano, com o Coronel Amado) um dos principais opositores à I República em Guimarães, tendo estado ligado a vários movimentos monárquicos durante esse período.
2º- O facto de se ter exercido o cargo de Presidente da Câmara durante a I República não é sinónimo de se ser republicano... Por exemplo o Dr. João Rocha dos Santos era monárquico e, quando se deu a restauração monárquica no norte do país, saudou o movimento monárquico (como se pode ver no Livro de Actas da C. M. Guimarães).
Os alunos da turma responsável pelo blogue agradecem esta prestimosa colaboração.
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Presidentes da Câmara de Guimarães
domingo, 23 de maio de 2010
Construção da bandeira nacional em telas modulares
Planificação do trabalho a desenvolver:1. O trabalho vai se levado a cabo pelo grupo disciplinar de Educação Visual e Tecnológica, do 2.º ciclo do Ensino Básico e pelos grupos disciplinares de Educação Visual e de Educação Tecnológica, do 3.º ciclo.
2. Tratamento iconográfico da Bandeira da República:
a) a bandeira nacional vai ser tratada num conjunto de sete telas de 1,20 m X 0,60 m;
b) cada tela representará um símbolo integrante da bandeira acompanhado pelo texto explicativo do respectivo significado;
c) numa tela de maior dimensão (2,10 m X 1,40 m) será apresentada a actual Bandeira da República, conforme a imagem.
3. O trabalho final será exposto na praça central de Caldas das Taipas, na “Semana da República” (de 1 a 10 de Outubro).
4. A comissão organizadora pretende reproduzi-lo em placard modular (outdoor) para apresentação noutros espaços públicos.
5. Por fim, será colocado em local de destaque na Escola Básica do 2.º e 3.º ciclos de Caldas das Taipas.
4. A comissão organizadora pretende reproduzi-lo em placard modular (outdoor) para apresentação noutros espaços públicos.
5. Por fim, será colocado em local de destaque na Escola Básica do 2.º e 3.º ciclos de Caldas das Taipas.
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Bandeira nacional
terça-feira, 11 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
Raul Rego - República: regime civilista (2)

É que a República antes de ser o nome de um regime é a vida das gentes e é mesmo regime. É a coisa pública, é por vontade do povo, seja a aclamação de um rei ou príncipe nos campos de S. Mamede, seja a proclamação de um governo provisório, nos Paços do Concelho de Lisboa, em 1910, sejam os acordes de uma "Grândola Vila Morena" a despertarem os cidadãos, militares ou civis, atirando-os para a rua para retomarem os seus direitos, numa manhã de Abril de 1974. Somos o povo independente mais antigo da Europa e não nos parece dispiciendo lembrá-lo numa altura em que os meios de comunicação, as possibilidades de diálogo, nos vão ajudando a constituir a cidadania europeia. E porque não tornar realidade o sonho daqueles que, como Salvador Madariaga se dizem cidadãos por convicção. A convicção firme das gentes é mais forte e sólida pedra das leis.
Raul Rego, República Regime Civilista, conferência proferida no 83º aniversário da Implantação da República (Guimarães).
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República civilista
quarta-feira, 28 de abril de 2010
República - regime civilista (Raul Rego)

Aqui nasceu a República-nação portuguesa e bem se pode dizer que o castelo de Guimarães é, no século XII, o que há-de ser a Rotunda no século XX, os dois grandes padrões do historial da família portuguesa, chamem-se os seus dirigentes príncipes, reis ou presidentes. Não serão as cortes de Coimbra que dizem em 1385 ao príncipe D. João "autorizamo-lo a que se chame Rei"? Os reis, como os presidentes, só o são verdadeiramente por vontade dos povos, ou serão tirânicos, usurpadores de funções que lhes não competem e contra os quais os povos reagem, seja contra Dona Teresa e o conde Peres de Trava, no século XII, seja contra D. Manuel II e a rainha Dona Amélia, no século XX. A primeira reacção marca como que a data do nascimento do país, confirmado na Batalha de S. Mamede; a segunda marca a implantação da República, na Rotunda, em 5 de Outubro de 1910. Raul Rego, República Regime Civilista, conferência proferida no 83º aniversário da Implantação da República (Guimarães).
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República civilista
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Viver Abril

Ao longo da próxima semana, a Escola terá patente uma exposição sobre o 25 de Abril. Desta exposição faz parte um conjunto de materiais elaborados pelos alunos do nono ano. Paralelamente serão ministradas algumas aulas sobre esta temática. As turmas D, E e F elaboraram cartazes alusivos à temática "Rostos da Democracia" que foram disseminados pela escola.
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25 de Abril; Democracia
sábado, 27 de março de 2010
Primeira comissão republicana de Guimarães
Lista completa dos membros: José Pinto Teixeira Abreu, Presidente; Mariano Felgueiras, Manuel Ferreira Guimarães, Júlio António Cardoso; José Leite Rodrigues da Silva; Manuel Caetano Martins; José Ribeiro de Freitas. (Cortesia, prof. Rui Faria)
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Comissão republicana de Guimarães
sexta-feira, 26 de março de 2010
O ensino em Guimarães no início da República

Naquela época, no concelho de Guimarães, o número de escolas existentes era apreciável, apesar de nem todas elas estarem em funcionamento. As escolas eram divididas por três sectores, as escolas do sexo masculino, as do sexo feminino e as mistas. Era maior o número de escolas do sexo masculino, pois também era superior o número de rapazes matriculados. Muitas crianças não eram matriculadas. O número de crianças recenseadas é bastante maior do que o número de crianças matriculadas nas escolas do concelho de Guimarães.
Os exames eram executados e em seguida avaliados por um júri. Era maior o número de alunos aprovados por suficiente do que por óptimo. O número de aprovados por distinção era bastante reduzido. Muitas crianças chegavam até a faltar. Nesta altura, as crianças eram muitas vezes obrigadas a conjugar a escola com o trabalho.
Os exames eram executados e em seguida avaliados por um júri. Era maior o número de alunos aprovados por suficiente do que por óptimo. O número de aprovados por distinção era bastante reduzido. Muitas crianças chegavam até a faltar. Nesta altura, as crianças eram muitas vezes obrigadas a conjugar a escola com o trabalho.
Post: Francisca - 9º D; Imagem - Grupo de raparigas do Colégio de Santa Maria em trajes tradicionais minhotos, aquando da «festa recitativa» dedicada às famílias das alunas, que teve lugar nos dias 15 e 16 de Maio de 1918. Casa de Sarmento
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Escola na República
quinta-feira, 25 de março de 2010
Ecos da República em Guimarães

1910 - Junto à sede Republicana rebentam dois petardos. Na mesma semana é aberta a nova sede do Centro Republicano. A Comissão Municipal Republicana edita como órgão oficial o jornal de Guimarães tendo como director A. L. de Carvalho. Em Novembro aparece o semanário do Partido progressista "Correio de Guimarães" tendo como director J. Rocha dos Santos. Em 7 de Dezembro, Mariano Felgueiras funda o jornal republicano "A Velha Guarda". No largo da Oliveira, no edifício dos Paços do concelho é proclamada a República. Fica como administrador do concelho, o Dr. Eduardo de Almeida.
Vide a obra editada pelo Circulo de Arte e Recreio, Sobre a República em Guimarães, 1995 e o texto de J. Santos Simões 90º Aniversário da República. Para que Guimarães não esqueça, editada pelo Circulo de Arte e Recreio,2001
Foto: Largo da Oliveira (in Casa de Sarmento)
Foto: Largo da Oliveira (in Casa de Sarmento)
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República em Guimarães
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